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Um banho de cultura

No último domingo chamei o marido para espairecer um pouco pela cidade e lembrei que uma praça foi reformada há poucos dias aqui, em Aracaju.

O nome da praça é Tobias Barreto e recebe esse nome porque Tobias Barreto de Meneses foi um sergipano que trouxe muito orgulho pelo seu trabalho como filósofo, poeta, crítico e jurista. Além disso, ele foi o fundador do condoreirismo brasileiro e patrono da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras.

Segundo o site "E-Biografias", Tobias Barreto procurava esquecer sua origem humilde, mas se achava descriminado pela cor da pele. Ele se apaixonou por Adelaide do Amaral, artista portuguesa e casada. Declamava versos cheios de amor e mantinha duelos poéticos com Castro Alves.

A praça fica no bairro São José que é próximo do centro da capital, a Guarda Municipal estava presente e aproveitei bem tranquila. Da próxima vez quero levar meus pais e meu sobrinho lá.

Tem diversos brinquedos infantis de boa qualidade. Espero que a população zele por esse espaço tão gostoso que faz uma diferença grande em nosso dia a dia. Quantas histórias permeiam nas praças e ficam eternizadas na memória?

Eu super aprovei a revitalização e fiquei feliz quando vi um espaço dedicado a leitura e o incentivo por intermédio da troca de livros. O espaço é bem arejado e a visão de um lago calmo é belíssimo. Para os que gostam de esporte tem uma "academia ao ar livre", muito legal e ambiente é bem arborizado com muitas árvores antigas, bancos e pergolados.

Para os próximos turistas um passeio na praça Tobias Barreto será indispensável. Passear é bom, mas passear com o olhar curioso sobre a cultura local é melhor ainda.

Me despeço com uma bela obra do saudoso poeta Tobias:

O Gênio da Humanidade


Sou eu quem assiste às lutas,
Que dentro d'alma se dão,
Quem sonda todas as grutas
Profundas do coração:
Quis ver dos céus o segredo;
Rebelde, sobre um rochedo
Cravado, fui Prometeu;
Tive sede do infinito,
Gênio, feliz ou maldito,
A Humanidade sou eu.

Ergo o braço, aceno aos ares,
E o céu se azulando vai;
Estendo a mão sobre os mares,
E os mares dizem: passai!...
Satisfazendo ao anelo
Do bom, do grande e do belo,
Todas as formas tomei:
Com Homero fui poeta,
Com Isaías profeta,
Com Alexandre fui rei.
(...)
Travei-me em lutas imensas,
Por vezes cansado e nu,
Gritei ao céu: e que pensas?
Ao mar: de que choras tu?
Caminho... e tudo o que faço
Derramo sobre o regaço
Da história, que é minha irmã:
Chamem-me Byron ou Goethe,
Na fronte do meu ginete
Brilha a estrela da manhã.
(...)
Publicado no livro Dias e Noites (1881). Poema integrante da série Parte I - Gerais e Naturalistas.

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