Leitura encerrada, mas as reflexões continuam e levamos conosco ao longo da nossa jornada. 📚😥
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Fiz algumas anotações e deixarei registradas aqui. .
O idiota tem uma narrativa intensa onde a personagem principal, o príncipe Míchkin, interage com a alta sociedade conservadora e poderosa, além de jovens anarquistas e niilistas. Destaca-se a figura de Nastácia e Rogójin.
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O príncipe, em si, é uma mistura de Cristo com Dom Quixote: simples, honesto, bom, ingênuo. Ele está sempre disposto a perdoar e é inclinado a servir ao próximo. Por essas características todos o consideram um idiota. Afinal, que benefício há em ser benevolente sem desejar retorno algum? Pensam eles, haja vista que seus valores estão alicerçados na riqueza e no Estado.
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Quanto a Nastácia, todos enxergam o óbvio: uma mulher extremamente linda e proporcionalmente louca. Inclusive o mundano Rogójin. Mas o príncipe, não. Ele enxerga através do óbvio, ele vê o ser humano que passou por traumas e não sabe como lidar com essas feridas abertas.
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Dostoiévski traz assuntos que permeavam a Rússia de 1868 e contextualiza o comportamento de suas personagens. Temas como política, religião, ideais, são tratados de forma lúcida nos diálogos com contrapontos.
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Por fim, na narrativa está presente alusões a vivências reais do próprio autor. O que pode ser percebido é o desnudamento do ser humano. O que há de mais belo e de mais deplorável na alma humana. .
Para reflexão:
🔹Quando foi a última vez que olhamos para alguém e conseguimos enxergar além do óbvio? 🔹Teríamos coragem de agir por compaixão, sacrificando-se em benefício de todos?
🔹Por que, também atualmente, ser verdadeiramente benevolente é sinônimo de imbecilidade, de inadaptação?

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