Pular para o conteúdo principal

Gente Pobre - Resenha


Esse é o meu livro, ou melhor, o tipo de literatura que gosto de ler: romance social.
O primeiro livro publicado por Dostoiévski foi Gente Pobre, em 1845, um romance epistolar (história desenvolvida através de cartas).

A narrativa se desenvolve por intermédio da troca de cartas entre o senhor Makar e uma jovem chamada Varvara. Ambos em situação de pobreza, se descobrem parentes distantes e mutuamente se ajudam, da forma que podem.

Fato é que, para além da ajuda financeira, a existência do outro e a comunicação entre eles, é o sustentáculo que os mantém vivos em meio a tantas dificuldades e desesperança.

Dosto traz "o homem sem importância" como personagem central e mostra a imagem interior daquele que, em meio a situação de pobreza e humildade social, é um ser pleno, capaz de pensar, sentir e agir de maneira profunda.

Gente Pobre fala sobre as questões sociais e assim, Dosto através do copista - funcionário inexpressivo na repartição pública de Petersburgo - faz o leitor perceber que o homem procura uma razão para preencher o vazio de uma vida miserável e, quando isso acontece, concentra nela toda a sua energia emocional.

Na figura do Makar é perceptível em como a situação de pobreza extrema leva a humilhações e essas humilhações, às vezes, fazem as pessoas se entregarem paulatinamente a situações degradantes, a vícios. Porque aí, parece, as humilhações já não soam tão agressivas, aí as injúrias se justificam. É pesado, mas nos faz refletir sobre a influência e as implicações que a situação que vivemos exerce sobre todos nós.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma vida com propósitos - Resenha

Esse é o livro que gostaria que não tivesse fim. Rick Warren fez com que voltasse o meu olhar para mim, para o próximo e para Deus. Ao longo da vida há um momento em que muitos se questionam sobre o seu propósito no mundo e sobre o agir de Deus. Nesse livro, o autor nos convida para uma jornada de 40 dias e, em cada dia, 1 breve capítulo deve ser lido. Breve, mas profundo. Por isso há um capítulo diário, para que possamos refletir e meditar sobre as implicações de cada capítulo em nossa vida. Warren oferece diretrizes para elaborar e aplicar o propósito. A sensação de acolhimento e de esclarecimento sobre nós, Deus, sobre propósitos... É um acalento. E o que mais me tocou é que nosso propósito de vida não é algo de extraordinariamente difícil, já que consiste em servir ao próximo. E para servir basta usarmos a nossa FORMA, o que a gente tem de melhor para oferecer: um abraço, um alimento, uma palavra, uma oração, um sorriso [...]. A nossa vida precisa de um propósito e, para...

O incêndio de cada um

Fico encantada quando vejo pessoas que trabalham com o que amam. Às vezes ficava observando os professores que já tive e era perceptível quando estavam fazendo o que gostam de fazer de verdade. O empenho em esclarecer os assunto, o domínio do conteúdo, a dedicação em ensinar, a humildade em reconhecer o que não sabe, mas buscar aprender; a paciência e até as frustrações por se doar demais e não ver o retorno tão merecido. Uma vez li um texto do Affonso Romano de San'Anna chamado " O incêndio de cada um ", e lembrei desses e de outros profissionais, e retrata o momento em que você se descobre e um desses momentos ( eu acho ), é aquele que você percebe o que realmente nasceu para fazer. É lindo ... seguee: " Há um momento de sedução típico de cada um. Quando o indivíduo está assentado no que lhe é mais próprio e natural . E isto encanta.   Claro, esses são exemplos até esperados. Mas há outros modos de o corpo de uma pessoa embandeirar-se como se t...

O elogio ao ócio - Resenha

Esse #tbt é para lembrar desse livro esquecido na prateleira, mas que levanta uma discussão sobre um tema que merece ser debatido e refletido, sobretudo atualmente. . Embora a rapidez e a multiplicidade de tarefas seja o assunto em voga, é importante questionar se estamos vivendo da maneira como gostaríamos de viver ou se é apenas porque a sociedade impõe um modelo a ser seguido. O elogio ao ócio de Bertrand Russell é um compilado de 15 artigos. Ele aborda o ócio como elemento fundamental no dia a dia. O ócio e o conhecimento contemplativo, para Russell, é ideal para que a sociedade tenha uma vida saudável, com redução da carga horária de trabalho para 4h diárias a fim de que pudéssemos nos dedicar mais à cultura e lazer. Entretanto para muitos, o conhecimento "inútil" é irrelevante, pois são prisioneiros do "culto da eficiência", ou seja, valorizam o conhecimento pelos benefícios econômicos e pelo aumento do poder que podem exercer sobre outras pessoas...